
Muita gente falando em robotização e automação de processos no mundo corporativo, parece ser um dos temas que se diz como “a bola da vez”. Antes de qualquer analise, lembrando que o Robô, conhecido pela sigla em inglês RPA (Robotic Process Automation) é um software que substitui um operador quando executa atividades de trabalho em uma determinada área ou setor. A figura daquele robozinho simpático tem aparecido com bastante frequência em publicações, matérias e publicidades por aí, provocando muito interesse e já começa entrar no cenário das aquisições tendo como objetivo a melhoria da eficiência e redução de custo.
Temos que ter cuidado com a visão que essa onda provoca em nossos projetos, principalmente com a visão do lado de quem é o owner da operação. O Robô é um recurso de automação sim, mas há de se alertar que faltam outros engines importantes aí, e, principalmente, a visão orientada à processos. Eu não estou defendendo o emprego daqueles que deverão ser demitidos em troca dos jovens fiéis e incansáveis trabalhadores mecanizados, mais do lado da eficácia e do planejamento do projeto no longo prazo.
A automação com robôs tem que ser vista sempre de forma mais estruturada visando atender às interferências que ocorrem no ciclo de vida das atividades que a área de negócio deseja inovar. Temos que lembrar que o mundo gira, e, com ele, as regras, processos, pessoas e sistemas. O robô, aquele que automatiza as atividades repetitivas (sim somente as repetitivas em larga escala) traz eficiência, mas ele é um remédio, surgiu por causa da demora da TI em “aterrizar” na demanda com um projeto de integração mais robusto. O robô, por concepção será sempre um tratamento provisório, pois ele precisa fazer login e executar uma transação fixa, mas não é cognitivo como o operador para abstrair uma mudança, sua colaboração tem que ser vista como uma fase, um começo dentro de um plano evolutivo. Apesar de serem trabalhadores persistentes em três turnos, sem almoço, descanso e férias, não podem ficar sozinhos porque são trainees, executam o script exatamente da forma que lhe foi determinado e, se alguma coisa diferente acontecer a sua frente, interrompe imediatamente o expediente! Como todo trainee, sempre vai precisar de coordenação constante. Tecnicamente falando, ele precisa de manutenção, orquestração e controle, de quem conhece muito bem o robô.
A visão mais moderna de Automação de Processos permite usar os elementos mais inteligentes para as demandas nesta onda de Robô, e pode ser modelado conforme for a necessidade da demanda: O iBPMS por exemplo, é nova geração do velho BPM que emprega mais recursos de inteligência nas automações. Um iBPMS pode muito bem automatizar as atividades repetitivas e não repetitivas, permitir incrementar ou alterar novas regras, controlar e orquestrar dados, além de tratar das decisões automáticas, usando recursos próprios. Com iBPMS, o Robô pode ser um elemento dentro de sua plataforma e pode ser controlado e gerenciado de maneira evolutiva. Mais que isso, a automação agora entra em um contexto mais sofisticado ainda quando precisar capturar dados externos de forma massiva, com algoritmos de IA, pode perfeitamente processar encadeamentos automatizados dentro da cadeia de processos. Enfim, o planejamento do emprego dessas tecnologias tem que considerar o ciclo de vida dos processos, novas otimizações virão, afinal o que se espera é a manutenção da eficiência, custo e benefícios associados.
Vamos comparar as abordagens e imaginar um BackOffice com 150 atividades executadas por mais de 30 colaboradores. No modo “Robotização”, se determina uma implantação de 50% dos robôs somente para as atividades repetitivas substituindo digamos 15 colaboradores. No modo “Automação de Processos” um projeto com visão lean e iBPMS, as atividades seriam configuradas com engines de extração, regras de roteamento, escalations, alarmes, formulários eletrônicos, mensageria, distribuição e envio de dados para sistemas legados. O projeto reduziria atividades , automatizaria as necessárias e eliminaria todos os robôs, e, consequentemente os 30 colaboradores. Além do que seria bem mais adequado o processo de manutenção, proveniente das mudanças que os sistemas legados provocam!!
Então, vale a pena refletir bem como considerar os Robôs…nada contra eles, desde que não fiquem responsáveis por tudo, afinal eles sozinhos não dão conta do recado.

Análise perfeita e muito valorosa! Outra seria a automação de processos errados, equivocados e desalinhados com as necessidades dos clientes, o robo é uma forma “automatizada” de repetir erros e ampliar decepções.
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Exatamente Victor. Nas minhas visitas e prospecções não tenho visto uma abordagem de estudo para planejar a implementação de robos. Existem sempre atividades questionáveis no contexto, as que não deveriam existir, as que poderia ser de outras áreas enfim e outras. Os objetivos são redução de recursos humanos, ou seja, estão trocando humanos por robôs para algo que não precisa ser feito. Obrigado pelas palavras. Lauro Brito
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